quinta-feira, 15 de junho de 2017

"Temos de nos habituar"

O Livro das Imagens 
"Temos de nos habituar". É o pensamento recorrente, nas suas diversas variações, que ouvimos da boca de muitos políticos (supostamente) responsáveis a propósito dos frequentes atentados terroristas vividos na Europa e no Ocidente. Sim, de facto o ser humano habitua-se a muitas coisas, para não dizer a quase tudo mas este não tem de ser necessariamente o caso.
Habituamo-nos ao trânsito, habituamo-nos a usar óculos, habituamo-nos ao cão do vizinho que ladra de manhã, habituamo-nos a... etc, etc. Não temos de nos habituar ao terror, em especial quando uma das funções do Estado (para mim a essencial) é garantir a segurança aos seus cidadãos.
Este argumento da habituação é falacioso e revela um comprometimento, por parte de políticos, com o islamismo que não pode ser tolerado.
Não é a primeira vez que a Europa vive o problema do terrorismo, No final do século XIX e início do século XX a ameaça proveio dos anarquistas e revolucionários, que contaram entre as suas vítimas o presidente francês Sadi Carnot, o rei Humberto de Itália, o czar Alexandre III, entre outros.
Nos anos setenta e oitenta tivemos as BR italianas, a ETA basca, o IRA irlandês, as CCC belgas, a AD francesa, a RAF alemã, as FP-25 portugueses, os GRAPO espanhóis, além de outros grupúsculos e do terrorismo palestiniano actuante na Europa. Ora, que me lembre, nunca houve nenhum político que afirmasse a necessidade de nos habituarmos. Quando foi que Margaret Thatcher afirmou que "temos de nos habituar ao terrorismo do IRA"? Quando foi que Felipe González afirmou que "temos de nos habituar ao terrorismo da ETA"? Quando foi que Helmut Schmidt afirmou que "temos de nos habituar ao terrorismo da RAF"? nunca nenhum deles veio dizer que era o preço a pagar por viver em sociedades modernas e que a vida nas cidades implicava tais factos.
Pelo contrário. As sociedades ocidentais não descansaram enquanto não eliminaram os referidos grupos terroristas. Claro que também existiu, da parte destes, a noção de que os seus objectivos seriam mais facilmente atingidos pela deposição das armas e a integração na sociedade civil, na qual poderiam actuar de forma mais profícua. O certo é que hoje nenhum dos referidos grupos sobrevive. Por que razão há-de ser diferente com o terrorismo islâmico?
Nenhuma actividade terrorista, nenhum grupo, sobrevive sem o apoio das comunidades de onde saem os seus intérpretes. O IRA, a ETA, por exemplo, mantiveram-se durante décadas porque exprimiam anseios das comunidades a que se ligavam. O mesmo sucede com o terrorismo islâmico. E quando os políticos multiculturalistas afirmam que temos de nos habituar e que estamos perante uma consequência da vida moderna apenas reconhecem (inadvertidamente) o apoio que tais terroristas recebem das comunidades em que se inserem.
Portanto, não temos de nos habituar. Quando um político ou analista afirma o contrário está a reconhecer um carácter de excepcionalidade ao terrorismo islâmico. Porquê? as razões são óbvias. E não deixa de ser curioso que aqueles que nos convidam à habituação face ao terror sejam os mesmos que defendem a acção contra "o aquecimento global", "a intolerância", "o racismo", etc. Se temos de nos habituar ao terrorismo não teremos também de nos habituar aos outros fenómenos apontados? porquê a diferença de tratamento?
Dizer que temos de nos habituar ao terrorismo tem tanta lógica como dizer a um doente que tem de se habituar à doença. É verdade que o doente vive com o problema, mas combate-o. O seu objectivo é ficar livre do mal. Ele age contra ele. Do mesmo modo, o terrorismo tem de ser combatido, de forma eficaz. independentemente dos desejos de políticos mais preocupados com a destruição da Europa do que a sua preservação.

1 comentário:

Bilder disse...

"Quando um político ou analista afirma o contrário está a reconhecer um carácter de excepcionalidade ao terrorismo islâmico. Porquê? as razões são óbvias. E não deixa de ser curioso que aqueles que nos convidam à habituação face ao terror sejam os mesmos que defendem a acção contra "o aquecimento global", "a intolerância", "o racismo", etc. Se temos de nos habituar ao terrorismo não teremos também de nos habituar aos outros fenómenos apontados? porquê a diferença de tratamento?"------------------------------------As respostas estão "facilmente" ao alcance de qualquer pessoa(que não esteja nas "malhas" do politicamente (in)correcto e,pior ainda,da dissonância cognitiva).