domingo, 18 de junho de 2017

Algumas reacções acerca dos violentos incêndios de Pedrógão Grande

A-24: Comentários acerca dos violentos fogos, em que constam números de vítimas que infelizmente já foram actualizados para mais.

Orlando Braga no Algol Mínima


Enquanto um primeiro-ministro não for assassinado, a classe política não muda
O incêndio de Pedrogão que já matou 43 pessoas é produto directo ou indirecto de uma classe política irresponsável e um sistema jurídico falido e ineficaz.
Não vale a pena falar sempre do mesmo: legislação penal ridícula para os incendiários que chega mesmo a protegê-los com “tratamento psiquiátrico”, uma Polícia Judiciária descapitalizada e sem recursos humanos e científicos, uma vigilância das florestas praticamente inexistente (reduziram os guardas-florestais e acabaram com os guarda-rios do tempo de Salazar).
Por falar em Salazar: já lhe temos saudades...
A situação só mudará quando um primeiro-ministro levar um tiro na cabeça. Quem tem cu tem medo. Só com o assassínio de um “cão grande” a classe política mudará alguma coisa.

Fernando Melro dos Santos no Estado Sentido
Um labrego qualquer no arco do Estado ganha cinco mil euros, fora prebendas advindas da influencia, para nao fazer nada. queima tempo, recursos e o futuro do país.
um bombeiro voluntario ganha €1,88 por hora. faz tudo. queima-se a si mesmo, ao seu futuro e aos seus.
as pessoazinhas nao votam em bombeiros, que lhes podem dar vida; e sim nos labregos que lhes dão rebuçados. o rebuçado é sempre doce enquanto dura.
o resultado é este.
 
Lura do Grilo 

Há que enterrar mais de 50 mortos mas há que buscar responsáveis políticos por esta tragédia para respeitar a sua memória. O ano passado ardeu uma muito significativa área de floresta e este ano a factura é ainda maior.
Oiço as TVs e a retórica é muito distinta da aplicada a outros governos: culpa-se a humidade, culpa-se o vento, culpa-se a seca, culpa-se um conjunto de situações excepcionais. Hoje falou um secretário de Estado que se "quer manter afastado".
Não se fala de cortes, de falta de organização, de falta de meios, de falta de planeamento, de falta de prevenção e de falta de estratégia para reagir a situações que se desenvolvem e alteram rapidamente.



2 comentários:

João José Horta Nobre disse...

O texto do Orlando Braga é bem intenso, mas perigoso. O que ele escreveu pode ser interpretado como um apelo aberto e directo à violência contra políticos e isso, como é óbvio, constitui um crime.

Eu bem sei que estamos todos fartos da canalha que (des)governa este País, mas é preciso cuidado com o que se escreve não vá depois haver consequências indesejadas...

Bilder disse...

"Nunca um fogo em Portugal matou tanta gente. O pior que o País pode fazer é culpar uma coincidência nefasta de fatores, desde a trovoada seca às elevadas temperaturas e ausência de humidade, para explicar a tragédia, sem apurar com exatidão o que aconteceu e tirar consequências desses resultados. É preciso investigar com rigor o que se passou para aprendermos com os erros e evitar que este inferno se repita. O trabalho de combate ao fogo por parte de bombeiros, GNR e outras forças tem sido heroico, mas o que falhou foi a prevenção. Ao contrário do que no calor dos acontecimentos disse o Presidente da República, não se fez o máximo do que poderia ser feito. A maior parte das vítimas morreu numa estrada nacional. Uma via que liga vilas deste País. Se tudo tivesse funcionado, aquela estrada 236 teria sido encerrada antes da tragédia. Também é inadmissível que haja uma total rutura nas ligações telefónicas. E há o crónico problema do ordenamento florestal e da falta de limpeza da floresta. Se a mata estivesse limpa, com menos material combustível, e se houvesse corredores de proteção entre a estrada e a vegetação, a velocidade e a intensidade das chamas seriam certamente menores. É fundamental que a investigação séria e exaustiva a esta tragédia seja célere e haja consequências ainda nesta época estival e não se aguarde como anteriormente pelas conclusões já em tempo de outono."

Editorial do jornal CM